Não mais


começa no aguardar:

na inquietude do peito,

em como eu, sempre afeito

ao silêncio do leito

desacompanhado, deito

e sinto ausência no ar.


inspiro essa falta:

não é solidão, nem

saudade; não me vem

com tristeza, porém

me faz dela refém,

e nada contemplo além

do aperto que me assalta.


longe, a cor escarlate:

e a fumaça anuncia

a chama que, outro dia,

cultivei, e me amacia

o coração para o abate.


ponho-me, enfim, a agir:

o fumo me alcança,

feição ainda mansa,

e dada-me a ansa

lhe faço sumir:


não mais, não aqui.




Aracaju, 23 de agosto de 2020

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